Canetas emagrecedoras: alto custo aumenta desigualdade no tratamento da obesidade no Brasil

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida apresentam resultados expressivos na perda de peso, mas custo elevado mantém o tratamento distante de grande parte dos brasileiros.

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras vem transformando o tratamento da obesidade, mas o preço dos medicamentos ainda cria uma barreira significativa para grande parte dos brasileiros. Apesar dos resultados apresentados por medicamentos mais modernos, o acesso continua concentrado entre pessoas com maior capacidade financeira.

Um levantamento da NielsenIQ Brasil, divulgado em abril de 2026, apontou que esses medicamentos já estão presentes em aproximadamente 5% dos lares brasileiros. Entre as famílias que utilizam as canetas, 84% afirmaram que os gastos provocam impacto alto ou moderado no orçamento mensal.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

O cenário ganha ainda mais relevância diante da dimensão da obesidade no país. Dados mais recentes do Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que 25,7% dos adultos brasileiros são obesos. A condição está associada ao aumento do risco de problemas como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Medicamentos mais modernos apresentam maior perda de peso

As chamadas canetas emagrecedoras incluem medicamentos que atuam sobre mecanismos hormonais relacionados à saciedade e ao controle da glicose. Entre eles estão os medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo presente em produtos como Wegovy e Ozempic.

Segundo os dados apresentados na reportagem, tratamentos mais antigos para obesidade costumavam proporcionar redução de aproximadamente 5% a 10% do peso corporal. Com medicamentos que imitam a ação do GLP-1, os resultados podem chegar a cerca de 17%.

Já a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua sobre os receptores GLP-1 e GIP e pode proporcionar redução de peso de até aproximadamente 22%, de acordo com os dados apresentados.

Custo continua sendo um dos principais obstáculos

Apesar da expansão desses medicamentos, nenhuma caneta emagrecedora é atualmente disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.

O Ministério da Saúde afirma que trabalha para modificar esse cenário. Especialistas defendem que os medicamentos possam ser comercializados por valores mais acessíveis, principalmente para pacientes que realmente possuem indicação médica.

A entrada de novos fabricantes no mercado após o fim da patente da semaglutida também começou a provocar mudanças. Em junho, chegou às farmácias a primeira caneta brasileira com esse princípio ativo, a Ozivy, produzida pelo laboratório EMS.

Em determinados tratamentos, a entrada do produto nacional pode representar economia de até aproximadamente R$ 1 mil por mês em relação aos valores anteriormente praticados. Ainda assim, o custo continua elevado para grande parte da população.

Desigualdade no acesso preocupa especialistas

Pessoas socialmente mais vulneráveis estão entre aquelas que apresentam maior prevalência de obesidade e podem necessitar de acompanhamento e tratamento. Entretanto, são também as que enfrentam maiores dificuldades para arcar com medicamentos de alto custo.

Especialistas também alertam para o chamado “emagrecimento social”, situação em que pessoas utilizam os medicamentos sem indicação terapêutica, motivadas principalmente por pressão estética.

Pacientes chegam a comprometer o orçamento

A reportagem relata casos de pessoas que precisam parcelar compras ou assumir dívidas para manter o tratamento.

Para especialistas, a discussão sobre as canetas emagrecedoras vai além do preço dos medicamentos e revela uma desigualdade maior no acesso ao tratamento da obesidade.

De um lado, estão tecnologias capazes de produzir resultados superiores aos observados com alternativas mais antigas. De outro, permanece o desafio de garantir que esses tratamentos estejam disponíveis para quem possui indicação médica, independentemente da capacidade financeira.

Com o avanço da produção nacional e a possibilidade de redução dos preços, o mercado poderá passar por novas mudanças. O principal desafio, entretanto, continua sendo transformar o avanço tecnológico no tratamento da obesidade em uma alternativa acessível para uma parcela maior da população brasileira.

FONTE/CRÉDITOS: MÍDIA BRASIL